*Por Lucas Cassab e Vivi Martins
Desde os primórdios da humanidade, toda vez que a liberdade foi ameaçada, a cultura foi um dos primeiros alvos. Regimes autoritários, incapazes de conviver com o pensamento livre, tentam calar o povo por meio da queima de livros, da perseguição a artistas, da censura à música, ao teatro e ao cinema. Eles sabem: um povo que pensa, que cria e que se expressa é um povo impossível de dominar.
No Brasil, essa história não é distante. Durante a ditadura militar, vimos a cultura ser sufocada, artistas serem silenciados e a criatividade brasileira ser tratada como ameaça. E, infelizmente, em tempos recentes, assistimos novamente a ataques diretos ao setor cultural: o desmonte de políticas públicas, o enfraquecimento institucional e o abandono de iniciativas que levavam arte e identidade ao nosso povo.
Mas a história não é feita apenas de retrocessos. É também feita de resistência — e de reconstrução.
Assumimos a responsabilidade de mudar esse cenário. Refundamos o Ministério da Cultura, devolvemos dignidade às políticas culturais, ampliamos investimentos, fortalecemos o Sistema Nacional de Cultura e levamos presença institucional a todos os estados do país. Criamos oportunidades, abrimos editais, valorizamos quem faz cultura no dia a dia e reafirmamos: a cultura não é acessório — é parte central do projeto de nação.
Ainda assim, sabemos que isso não basta.
Como já disseram os poetas, se muito vale o que foi feito, mais vale ainda o que está por vir. Não podemos apenas reconstruir — precisamos avançar. Precisamos conquistar corações e mentes, consolidar um projeto profundo de transformação cultural e garantir que nunca mais o Brasil volte aos tempos de silêncio e escuridão.
E isso exige ousadia.
Hoje, milhares de agentes culturais enfrentam uma realidade dura: falta de crédito, juros abusivos, ausência de políticas que compreendam suas necessidades. Não é possível falar em democratização da cultura sem democratizar o acesso aos recursos.
Por isso, propomos a criação de um novo caminho: o Programa de Crédito à Produção Cultural (PCPC). Um modelo inspirado em políticas que deram certo, com crédito subsidiado, condições justas e tempo para que artistas e produtores possam criar antes de pagar. Porque cultura não nasce da pressa — nasce da liberdade de criar.
E podemos ir além.
Defendemos também a criação de consórcios para produções culturais, com o Estado como garantidor. Um mecanismo inovador, capaz de ampliar investimentos, reduzir riscos e impulsionar projetos em todas as regiões do país. É assim que se constrói uma política cultural robusta: com criatividade, compromisso e coragem.
O Brasil é um país de diversidade imensa, de riqueza simbólica incomparável. Nossa cultura é nossa identidade, nossa memória e nosso futuro. Defendê-la é uma necessidade histórica.
E que fique claro: onde houver tentativa de silenciamento, haverá resistência. Onde houver ataque à cultura, haverá resposta. E onde houver um brasileiro disposto a criar, contar sua história e expressar sua arte, ali estará também o compromisso de um país que não abre mão de si mesmo.
Porque um Brasil forte não se constrói apenas com economia e infraestrutura.
Constrói-se, acima de tudo, com cultura, consciência e liberdade
*Lucas Cassab é secretario de cultura do PT-MG e presidente do Fórum de secretários estaduais de cultura PT. Vivi Martins Secretaria Nacional de Cultura do PT.
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Este é um artigo de opinião. O posicionamento do autor não representa necessariamente as ideias do PT-MG.