RESOLUÇÃO POLÍTICA SOBRE O SEGUNDO TURNO DAS ELEIÇÕES DE 2026
A Comissão Executiva Estadual do Partido dos Trabalhadores de Minas Gerais, reunida nesta data, ouvidas as candidatas, os candidatos, as instâncias partidárias e a militância, resolve aprovar a seguinte Resolução Política sobre o segundo turno das Eleições de 2026:
1. AVALIAÇÃO DO PRIMEIRO TURNO
O Partido dos Trabalhadores de Minas Gerais, após uma avaliação do resultado alcançado no primeiro turno das eleições gerais de 2026, reconhece a força e a capacidade de organização demonstradas pelo conjunto do Partido, por suas candidatas e candidatos, pelas direções municipais, pela militância e pelos movimentos sociais que estiveram conosco até aqui.
O PT ampliou sua representação política em Minas Gerais. Na Câmara dos Deputados, passará de 10 para 12 deputados federais eleitos, enquanto na Assembleia Legislativa de Minas Gerais ampliará sua bancada de 12 para 15 parlamentares. Trata-se de um resultado que fortalece a presença do Partido nas instituições e amplia nossa responsabilidade na defesa dos interesses da classe trabalhadora e da população mineira.
Também merece destaque histórico a eleição de Marília Campos para o Senado Federal, com 3.990.864 votos. Sua eleição representa uma importante conquista para o Partido dos Trabalhadores e para a esquerda mineira, ampliando nossa presença no Senado e fortalecendo a representação das mulheres na política institucional do Estado. E representa um marco para a esquerda mineira: Marília é a primeira senadora de esquerda eleita por Minas Gerais desde a redemocratização.
É fundamental também reconhecer a importância da candidatura do companheiro Patrus Ananias ao Governo de Minas Gerais. Patrus colocou seu nome à disposição do Partido e do povo mineiro, abrindo mão da perspectiva de uma reeleição à Câmara dos Deputados para assumir uma tarefa política de grande dimensão: apresentar aos mineiros e mineiras um projeto de governo comprometido com a democracia, os direitos sociais, o desenvolvimento econômico e a reconstrução de Minas Gerais.
Embora a candidatura não tenha avançado ao segundo turno, Patrus Ananias alcançou 3.006.088 votos, 26,34% dos votos válidos, em uma campanha construída em menos de 90 dias. Trata-se de uma votação expressiva, que demonstrou a existência de uma importante base social e política para o projeto representado pelo Partido dos Trabalhadores em Minas Gerais.
A candidatura de Patrus também deve ser compreendida como parte de um esforço coletivo que contribuiu para fortalecer o conjunto da chapa majoritária e proporcional do PT em Minas Gerais. A campanha percorreu diferentes regiões do estado, ampliou o debate sobre o projeto político do Partido e ajudou a construir as condições para o crescimento das bancadas federal e estadual e para a eleição de Marília Campos ao Senado.
O PTMG registra, portanto, seu reconhecimento e agradecimento ao companheiro Patrus Ananias, à sua equipe, às candidatas e aos candidatos, às direções partidárias e, sobretudo, à militância que construiu essa campanha em todo o estado. Os resultados alcançados no primeiro turno devem ser compreendidos como patrimônio coletivo do Partido e ponto de partida para os desafios que temos pela frente.
2. DESAFIOS DO SEGUNDO TURNO EM MINAS GERAIS
O primeiro turno terminou, mas a batalha política ainda não. O resultado alcançado pelo Partido dos Trabalhadores em Minas Gerais, com o crescimento de nossas bancadas e a eleição de Marília Campos para o Senado, demonstra a força da nossa organização e da nossa militância. Ao mesmo tempo, o segundo turno coloca diante de nós uma responsabilidade ainda maior: disputar os rumos do Brasil e defender o projeto democrático que queremos para o país.
O foco principal do Partido dos Trabalhadores de Minas Gerais, neste segundo turno, será a reeleição do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não podemos tratar esta etapa como uma mera continuidade da campanha. É um novo momento da disputa, que exige mais organização, mais presença política, mais capacidade de diálogo e, sobretudo, mais militância.
O PTMG reafirma seu compromisso com a defesa da democracia, da Constituição de 1988 e das conquistas sociais, econômicas e políticas construídas pelo povo brasileiro ao longo das últimas décadas. São esses compromissos que vem mudando a cara do país, marcado por históricas desigualdades e injustiças. É compreensível e legítimo que essas mudanças gerem expectativas de avançar ainda mais. E é isso que o Presidente Lula tem defendido para o próximo mandato: mudar ainda mais o país, e não retroceder.
O que o nosso adversário propõe é o retrocesso. Assim como no governo do seu pai, propõe uma mudança que é, na verdade, uma destruição das políticas públicas que impactam diretamente a vida da população, como a geração de emprego e renda, a valorização dos salários e aposentadorias, a educação pública, o SUS, a agricultura familiar, a reforma agrária, as políticas urbanas, os direitos da juventude e a proteção das mulheres, da população negra, dos povos originários e tradicionais e da população LGBTQIAPN+. E, além disso, o que o nosso adversário propõe é, de um lado, a submissão do Brasil aos interesses dos Estados Unidos e, de outro lado, ao crime organizado e às milícias.
Mas, como já disse o Presidente Lula, o 2º turno é a hora da verdade. Agora os dois projetos poderão se confrontar com nitidez e a máscara de Flávio Bolsonaro cairá. A população terá a oportunidade de ver quem defende o fim da escala 6×1 e quem quer bloqueá-la, quem colocou o banqueiro corrupto na prisão e desmontou a quadrilha do INSS e quem está envolvido até o pescoço com a corrupção do Banco Master e com os desvios bilionários do dinheiro dos aposentados.
Diante desse cenário é hora de ocupar a política, organizar nossas bases e estar onde o povo está. Cada diretório municipal, cada setorial, cada parlamentar, cada dirigente e cada militante deve assumir sua responsabilidade na construção deste segundo turno.
O Partido deve ampliar sua capacidade de diálogo e buscar uma ampla unidade democrática, conversando com os diferentes setores da sociedade e com todas as forças políticas e sociais comprometidas com a democracia. Precisamos falar com quem já está conosco, mas também ouvir quem ainda não decidiu, quem está distante da política, quem está desiludido e quem precisa ser novamente chamado ao debate sobre o futuro do país.
As manifestações espontâneas, em especial a de estudantes por todo o estado, devem ser fortalecidas e acompanhadas pelo partido e pela sua juventude. Os diretórios municipais e comissões provisórias devem ser pontos de apoio político e estrutural, contribuindo na conexão Universidades, Institutos Federais e municípios.
O segundo turno exige uma atuação articulada em todo o território mineiro. Precisamos estar nos grandes centros e nas pequenas cidades, nas periferias e nos bairros populares, no campo e nas comunidades rurais, nos locais de trabalho, nas universidades, nos movimentos sociais e nos espaços onde a vida cotidiana acontece.
Nossa tarefa é combinar organização partidária, presença territorial, diálogo direto e comunicação política. Precisamos utilizar todas as ferramentas disponíveis, fortalecendo aquilo que historicamente constituiu a força do Partido: a militância organizada e sua capacidade de estar junto do povo.
A redução da abstenção, o esclarecimento sobre o processo eleitoral e a garantia das condições para o exercício do direito ao voto também devem estar entre as prioridades da organização partidária. Para isso, será necessário mobilizar nossas estruturas, fortalecer os comitês, retomar contatos e transformar cada espaço de convivência em oportunidade de diálogo político.
3. REDES E RUAS: COMUNICAÇÃO DIGITAL E PRESENÇA TERRITORIAL
O Partido dos Trabalhadores reconhece a importância estratégica das redes sociais e das novas formas de comunicação política. As redes são fundamentais para ampliar o alcance das mensagens, alcançar novos públicos, dialogar especialmente com setores que não participam diretamente das estruturas partidárias e disputar o debate público no ambiente digital.
A comunicação digital potencializa a presença física e a relação direta com o povo. Nosso eleitor está conectado e também está nos bairros, nas periferias, nos distritos, nas comunidades rurais, nos assentamentos, nas cidades pequenas e nos grandes centros urbanos. É nesses territórios que a política se realiza concretamente e onde o Partido precisa estar presente, ouvindo, conversando, compreendendo problemas e construindo relações permanentes.
Precisamos estar nas redes e nas ruas; comunicar para milhares e, ao mesmo tempo, conversar com cada pessoa; utilizar as ferramentas digitais para ampliar o alcance da nossa ação, mas manter a militância inserida no cotidiano das comunidades.
A tradição política do Partido dos Trabalhadores nos ensina que a militância não pode se afastar da realidade concreta do povo. Deve estar no meio do povo, conhecer sua realidade, compartilhar suas dificuldades e esperanças e construir a ação política a partir dessa convivência.
Neste segundo turno, essa concepção deve orientar nossa atuação: mais organização, mais presença territorial, mais diálogo e mais comunicação. Redes e ruas devem caminhar juntas, como instrumentos complementares de uma mesma tarefa política.
O segundo turno exige de nós disposição, coragem e organização. Não há espaço para acomodação. É hora de arregaçar as mangas, reunir a militância, ocupar as ruas, fortalecer nossa presença nas redes e disputar cada espaço de diálogo.
O PT de Minas Gerais chama sua militância para esta nova etapa da luta política: vamos ao segundo turno para eleger Lula e enfrentar o obscurantismo, defendendo a democracia, os direitos do povo brasileiro e um projeto de futuro para o Brasil.
É hora de organização. É hora de mobilização. É hora de militância. É hora de Lula.
Belo Horizonte, 8 de outubro de 2026
Partido dos Trabalhadores de Minas Gerais
Comissão Executiva Estadual